Capital de giro caro: quando o problema não está no crédito

Gestão Financeira
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| 22/01/2026

O custo do crédito costuma aparecer como o grande vilão da gestão financeira empresarial. Juros elevados, restrições de acesso e condições cada vez mais rigorosas entram no centro das discussões. No entanto, em muitos casos, o problema não está exatamente nas taxas, mas no modelo adotado para financiar a operação.

Empresas que recorrem de forma recorrente a linhas de capital de giro acabam pagando caro não apenas em juros, mas também em perda de previsibilidade e controle financeiro. Quando o crédito deixa de ser exceção e se torna rotina, ele passa a sinalizar um desalinhamento estrutural entre vendas, recebimentos e pagamentos.

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Crédito: Freepik

Capital de giro deveria ser apoio, não dependência

O capital de giro tradicional foi concebido para atender necessidades pontuais: um descasamento temporário, uma sazonalidade específica ou um evento extraordinário. O problema surge quando ele passa a financiar a operação cotidiana.

Nesse cenário, a empresa vende hoje, recebe no futuro e paga juros no presente. A consequência é direta: compressão de margens, aumento do risco financeiro e menor capacidade de planejamento. O crédito deixa de ser instrumento e passa a ser muleta.

O erro de financiar a operação com dívida

O uso recorrente de dívida para cobrir custos operacionais cria um ciclo difícil de romper. Quanto maior a dependência, maior a exposição a oscilações de mercado, mudanças nas condições de crédito e restrições de liquidez.

Esse modelo, além de caro, ignora um ativo relevante que já está presente no balanço da empresa: os recebíveis. Direitos a receber representam vendas já realizadas e valor já gerado, mas que ainda não se transformaram em caixa.

Dívida financeira x monetização de ativos

Existe uma diferença fundamental entre contrair dívida e monetizar ativos. Empréstimos e financiamentos criam novos passivos, elevam o grau de alavancagem e aumentam o risco financeiro do negócio.

Já a antecipação de recebíveis atua de forma distinta. Ao transformar direitos futuros em liquidez imediata, a empresa acessa recursos que já lhe pertencem, sem criar novas obrigações financeiras. Essa distinção é central para organizações que buscam equilíbrio e previsibilidade no fluxo de caixa.

Quando integrada à gestão financeira, a antecipação de recebíveis permite reduzir a pressão sobre o caixa e diminuir a dependência de linhas tradicionais de capital de giro para financiar a própria operação.

Uma alternativa estrutural, não emergencial

Ao longo do blog da ADN, já abordamos como sazonalidades, picos de demanda e ciclos de venda exigem planejamento financeiro consistente. O mesmo raciocínio se aplica ao capital de giro.

Estruturar liquidez com base nas vendas realizadas tende a ser mais eficiente do que financiar desequilíbrios recorrentes com dívida. Trata-se de mudar a lógica: sair do crédito reativo e avançar para um modelo mais alinhado ao ciclo real do negócio.

Repensar o modelo antes de buscar crédito

Antes de aceitar o custo do crédito como inevitável, vale revisar o modelo financeiro adotado. Muitas vezes, o problema não está no acesso ao crédito, mas na forma como o fluxo de caixa é estruturado e financiado.

Repensar essa lógica é um passo importante para reduzir custos financeiros, ganhar previsibilidade e sustentar o crescimento de forma mais saudável.

Saiba mais sobre como nossas soluções em antecipação de recebíveis podem ajudar sua empresa a se adaptar e crescer.